Para entender (ou tentar) o Sistema de Saúde nos EUA

Já faz muito tempo que venho estudando e lendo sobre sistema de saúde dos EUA para poder compartilhar com vocês leitores, de forma concreta, uma posição do Viver em Orlando sobre o tema. E olha, não é fácil entender a saúde neste país, por mais que você leia sobre o tema. Ainda mais agora com as mudanças na lei, o famoso Obamacare, aí ficou ainda mais complexo entender como funciona (muito embora a tentativa tenha sido de facilitar o sistema). Mas vamos tentar aqui colocar os pontos e espero que todos consigam entender.

Não tenho por objetivo com esta matéria falar sobre tudo em termos de saúde nos EUA, inclusive porque esse tema, por si só, já daria um site inteiro, tamanha é a complexidade dele.

Porém antes de começarmos a falar sobre a saúde daqui, é bom sempre salientar que esse é um dos temas que mais causam dúvidas em nossos leitores. Praticamente todos os emails que recebemos, em especial aqueles que falam sobre “mudança para os EUA”, perguntam sobre como funciona a saúde, os seguros de saúde e coisas do tipo. Sempre colocamos os pontos gerais nessas respostas. É claro que existe essa preocupação das famílias na medida em que não é possível brincar com saúde, em especial quando temos crianças envolvidas, pessoas mais idosas ou pessoas com problemas pré-existentes. Ao meu ver, esse ponto deve ser o mais importante num contexto de planejamento geral de mudança pra cá, diga-se de passagem.

Perguntas são sempre interessantes neste momento e uma das principais que eu faria é: afinal, o sistema de saúde americano é bom ou ruim? A resposta é depende do que estamos falando.

Se falarmos do ponto de vista da estrutura dos hospitais, da estrutura de tratamento e facilidade em se obter os mais diversos tratamentos para as mais diversas doenças, se falarmos do campo de pesquisa científica e investimentos nesse setor, se falarmos da formação profissional (aqui, com algumas ressalvas), me parece claro que a saúde americana é excelente e tem um nível incontestável de qualidade.

Agora, se o debate for em torno da acessibilidade e custo dessa saúde, aí meus caros leitores, lembram do SUS, pois é, alguns irão sentir saudades dele…….E porque isso ocorre? Simples resposta. Saúde nos EUA, em qualquer nível, não é nada barato, custa caríssimo e a base não é preventiva, ao contrário, é a velha saúde curativa, voltada apenas para aquele tratamento quando a doença já se manifesta. Simples assim. No Brasil o modelo é bem esse, poucas atividades de prevenção e foco na cura da doença e não na origem dela. Porém, podemos falar mal, criticar, o que for, pelo menos no Brasil, em tese, existe um sistema de saúde público e universal que garantiria o tratamento a todos, de forma gratuita. EM TESE, ok. Aqui nos EUA, nem esse “em tese” existe. E é aí que está o ponto-chave para começarmos a falar de saúde neste país.

Do ponto de vista de programas de saúde federais, existem inúmeros que recebem recursos do governo central americano e outros tantos programas estaduais (lembrando que a organização dos EUA é bem diferente neste campo do que temos no Brasil). Esses programas federais tem tamanhos e públicos bem diferentes e basicamente estamos falando dos seguintes:

- Federal Employees Health Benefits Program: me parece que o próprio nome deixa claro exatamente o que seria esse programa, em termos de assistência geral para os funcionários públicos das agências federais americanas (e são muitas);

- Indian Health Service: o programa federal de saúde para os índios nativos americanos e para as populações do Alaska.

- Veterans Health Administration: o programa federal de assistência a saúde dos veteranos das Forças Armadas dos EUA.

- Military Health System: programa de assistência a saúde dos militares americanos.

- Children’s Health Insurance program: programa ligado ao Medicaid (veremos a seguir o que ele é, de forma mais detalhada) que oferece cobertura de saúde para cerca de 8 milhões de crianças cujas famílias possuem rendimentos muito elevados para se qualificar para o Medicaid, mas não podem pagar uma cobertura privada. Este programa, assim como o Medicaid, tem gestão tanto do governo Federal, quanto dos Estados, cada um assumindo sua responsabilidade em termos de financiamento.

- Medicare: basicamente um dos maiores programas federais de seguro de saúde focado para os americanos com 65 anos ou mais, que tenham trabalhado e pago para o sistema (literalmente uma contribuição de toda uma vida), bem como os jovens com deficiência e outras pessoas com algumas doenças crônicas que também são cobertas pelo programa.

- Medicaid: programa de saúde social para as famílias e indivíduos de baixa renda. A Associação de Seguros de Saúde da América descreve Medicaid como um “programa de seguro do governo para pessoas de todas as idades cuja renda é insuficiente para pagar os cuidados de saúde”. Seria então o mais próximo daquilo que chamamos de SUS no Brasil, com o diferencial que ele não é universal, na medida em que você precisa se qualificar para fazer parte do programa e ele é baseado, exclusivamente, na renda do indivíduo.

Apenas se formos nos basear nestes programas federais, já temos uma nítida impressão do quão complicado é a estrutura de saúde nos EUA, não é mesmo? Tudo bem que os programas são focados conforme público e tudo mais, todavia, esse emaranhado de critérios de elegibilidade daqui e dali, ao meu ver, só complicam ainda mais o cenário. De uma forma geral, este artigo vai falar sobre o Medicare e o Medicaid.

Os outros citados, além desses, são bem específicos, não cabendo nesta avaliação geral por tratarem de situações de excessão. Eu diria que, no geral, esses programas que focam em certas classes, por si só, já são excludentes. No entanto, esse tipo de organização em torno de assistência médica ocorre em todos os lugares do mundo, inclusive no Brasil.

Exemplo da carteirinha do Medicare nos EUA.

Vejam, se falarmos dos dois principais programas de saúde, o Medicare e o Medicaid, temos aí duas situações bem precárias de organização estrutural. O Medicare parte do pressuposto que o indivíduo, com mais de 65 anos, tem direito a assistência de saúde tão apenas se ele, durante a sua vida ativa como trabalhador, contribuiu  para o sistema e assim se qualificou para receber este benefício do governo. Já o Medicaid tem como faixa de adesão aquelas famílias ou pessoas que seriam consideradas “pobres” para arcar com os custos de planos privados. O problema é que, neste segundo caso, tem pessoas que não se qualificam pro Medicaid por não serem tão pobres assim, porém não tem faixa de renda suficiente para pagarem por bons planos privados. E onde eles ficam? Não ficam, simplesmente estamos falando de mais de 40 milhões de pessoas que, antes do Obamacare, estavam numa espécie de “limbo” em relação a assistência a saúde.

E com o Obamacare, elas agora estão em algum lugar? Não necessariamente. Vários aspectos desta reforma aprovada no governo Obama ainda não estão claras nos EUA e muitos debates ainda ocorrem sobre as novas regras. Iremos tratar sobre isso mais a frente neste artigo.

Bem, em termos gerais, tanto o Medicare como o Medicaid são planos de assistência a saúde públicos, onde o governo federal entra com uma parte dos recursos para garantir uma certa cobertura a população que pode usar o sistema. Evidentemente que estamos falando de uma minoria da população em si. A maioria da população americana usa os sistemas de seguros de saúde privados que existem no mercado e, acreditem, são milhares de opções aqui. Não necessariamente com qualidade, diga-se de passagem. Basicamente as famílias tem seguro contratado pelos seus empregadores, no caso das pessoas que tem trabalho full-time e/ou  contratam seguros a parte para as coberturas de saúde. Não tem muito como fugir disso.

No caso de quem tem seguro saúde, o sistema é bem diferente do que percebemos em países desenvolvidos, como a Inglaterra, Canadá e França (principais bases de comparação com a realidade americana), uma vez que nesses países a saúde é um direito fundamental garantido na constituição e os serviços são universais, não havendo necessidade das pessoas terem (pagarem) pelos cuidados de saúde. No Brasil, também existe essa opção com o SUS (mesmo sabendo que ele não funciona em muitos casos). Nos EUA, ou você tem seguro, ou você vai ficar numa situação muito complicada. E quando falo da diferença do sistema, vamos exemplificar:

Estrutura do NHS, talvez o melhor sistema de saúde pública do mundo, na Inglaterra.

Pegue o caso do Brasil, com um plano de saúde x qualquer que te garante uma cobertura y qualquer. Digamos que você precisa de uma cirurgia de risco, ou tratamento para uma doença adquirida depois da contratação do plano, enfim, esses pontos gerais. Tecnicamente, a operadora deve autorizar esses procedimentos que são feitos via solicitação médica. A partir disso, você tem o procedimento feito e os custos, na maioria dos casos, se autorizados, ficam a cargo do convênio de saúde, certo? (podem ter aqui algumas exceções, é claro, mas na maioria dos planos de saúde no Brasil – os bons – funcionam desse jeito). Pois bem, aqui nos EUA temos uma espécie de seguradoras que não fazem as coberturas 100% (parece muitas vezes um sistema de co-participação, igual ao que também temos no Brasil). Ter um seguro saúde que cubra 100% de qualquer coisa nos EUA é algo apenas e tão somente para pessoas de altíssimo poder aquisitivo, uma vez que saúde é caríssimo. 

Então como funcionaria: isso vai depender de qual seguradora a pessoa tem a  qual o plano que ela contratou. Igual como temos no Brasil. O problema que eu vejo aqui nos EUA são as possibilidades, praticamente sempre, dessas operadoras negarem os tratamentos sob as mais diversas alegações – desde a não necessidade do tratamento em si por questões de idade, passando pela não autorização em função de doença pré-existente, algo super comum por aqui. Na prática, ter seguro neste país não significa, de forma alguma, ter acesso a tal famosa saúde de qualidade americana. Vejam como funciona, no geral:

–> Co-participação: é o que você paga quando visitar o médico. Copays, como é chamado aqui, variam de acordo com a apólice de seguro contratada, e pode mudar se você visitar um especialista ao invés de um médico regular, ou procurar tratamento fora da rede da sua operadora. Cobertura de remédios de prescrição também usa o mesmo sistema, que podem aumentar de medicamentos especiais, e diminuir para medicamentos genéricos. Aliás, a fim de incentivar o comportamento saudável, muitas seguradoras por aqui podem não cobrar dos clientes para os cuidados preventivos, naturalmente como forma de evitar maiores gastos no futuro com a saúde desse segurado.

–> Health Insurance Co-insurance: caramba, começou a complicar. A maioria dos seguros de saúde nos EUA usam esse termo – na verdade isso quer dizer o seguinte: se um fulano, digamos, quebrar a perna e já tiver chegado ao máximo de gastos anuais (sim, a maioria aqui dos planos “pagáveis” tem isso) que o seguro paga, o que ocorre é que neste caso o seguro pagaria, digamos x% desse tratamento para a perna quebrada e ele arcaria com o outro x%. Tão simples quanto. O problema é que esse x% do paciente, numa hipótese, 20%, pode ser um valor que, do ponto de vista da liquidez, seja impraticável pro camarada chegar e pagar, cash. E é aí que mora o problema.

–> Limites dos Seguros: máximo “out-of-pocket” é a maior quantidade de dinheiro que você vai ser responsável por pagar durante um ano de seguro. Aqui estamos falando, tecnicamente, do valor mensal que vai custar esse seguro pra você e sua família, certo?. OK, entendido. No entanto, a maioria das apólices de seguros de saúde nos EUA possuem um LIMITE total de gastos durante a sua vida. Se você chega no fim desse limite estabelecido em contrato, sua cobertura encerra. E aí, como você fica? Uma coisa é você quebrar uma perna, ou coisa é você tratar de um câncer, concordam?

–> Condições pré-existentes: aqui nos EUA, mesmo depois do Obamacare, a maior parte dos seguros privados fazem um processo de aplicação que verifica todo o seu histórico para dizer se você é ou não passível de contratar aquele plano. Na verdade, isso ocorre como uma forma de defesa das empresas com o objetivo de não perder dinheiro com segurados que tenham uma situação de saúde complicada e isso faz parte do contexto de mercado, é claro. Agora, se você tem condições financeiras excelentes e prova isso, não importa a sua condição pré-existente pois você pode arcar de uma forma ou de outra (aliás, quem é rico mesmo, será que precisa de seguro saúde?). O ponto x aqui é que, se pegarmos os dados da população americana e cruzarmos com a situação de obesidade crônica que existe no país, em especial nos adolescentes e jovens, em tese, eles nunca vão conseguir ter um seguro-saúde na medida em que eles possuem uma situação extremamente favorável a doenças cardio-vasculares, concordam? E o que esses milhões de americanos jovens, acima do peso, vão fazer no futuro?

Os procedimentos no geral são conhecidos, as regras de jogo sãs as mesmas que ocorrem em outros países, como é o caso do Brasil e tudo segue. Porém, o problema não é esse: a questão central do debate é – eficiência da saúde americana e falta de um sistema universal que não assegure atendimento aqueles que não tem seguro.

Eficiência da Saúde Americana

Quando falamos da eficiência da saúde americana, o quadro é temerário (muito parecido com a maluca gestão do SUS no Brasil, onde a rigor, não faltam recursos e sim, falta profissionalismo na gestão). Sim meus amigos, aqui nos EUA nem tudo que envolve gestão é feito com a ótica da eficiência, ao contrário do que todos pensam. Segundo a OMS, em matéria de eficiência, a saúde americana se localiza abaixo do quadragésimo lugar, entre os países do mundo, localização inclusive inferior a vários países considerados pobres. O problema aí é que o governo americano gasta cerca de 15% do PIB com saúde. Se estamos falando do país mais rico do planeta, 16% do PIB com saúde, ao meu ver, daria para oferecer uma bela cobertura a população, certo? Não. O custo da saúde aqui é abissal.

O governo federal dos EUA já gasta mais per capita em saúde do que qualquer outro país desenvolvido.

Como nos EUA, em tese, existem os melhores recursos de tratamento e os melhores profissionais (em especial para tratamentos bem especializados), o custo em si é altíssimo e quem paga a conta é o contribuinte americano. O sistema atual  permite a existência de fraudes para todos os lados, lucros abusivos por parte das operadoras de seguros, práticas de negação de tratamentos arbitrárias (e pior, sem NENHUM controle ou fiscalização), desperdício e por aí vai. Sabe aquele controle de uma agência reguladora dos planos que deve existir para garantir o equilíbrio do sistema, pois é, nos EUA não tem. Sabe aquele processo de ir a um juiz e solicitar liminar obrigando o plano a fazer a internação e a operação, algo que ocorre com certa frequência no Brasil, pois é aqui não tem isso.

Se o camarada tem uma dívida muito grande com o hospital, ok, ele pode pagar isso em “suaves” prestações a perder de vista (como tudo acontece aqui nesse sistema de endividamento que faz do americano refém do crédito). Se por algum motivo essas famílias começam a ter problemas pra liquidar essa dívida (considerem também que ele paga pelo carro, pela casa, pelas 10 tv’s que tem em casa, pela faculdade do filho, pelo mercado, por isso e por aquilo), simplesmente o crédito começa a ter reports negativos e uma vez com crédito negativo nos EUA, as suas chances de ir a falência são muito grandes. Ah Luciano, mas está certo você ter um sistema que puna o mal pagador, não é mesmo? Claro que sim, mal pagador não deve realmente ter crédito bom, porém o ponto é que muitas famílias perdem crédito simplesmente porque não tiveram condições de pagar por uma cirurgia cardíaca que seu seguro não cobriu na totalidade, e aí, como fica? Já se colocaram nessa posição? Existem MILHÕES de americanos nela e isso aqui não é campanha negativa contra a imagem do “sonho americano” que muitos nutrem neste país. Isto é a realidade de um sistema de saúde pífio.

Falta de um Sistema Universal 

Nos EUA é ensinado que o controle estatal não é algo bom. É claro que estamos falando de um país que viveu desde o final da segunda guerra até 89 no contexto da Guerra Fria e isso guarda aquelas marcas clássicas de que o estado deve interferir o mínimo possível, livre iniciativa etc. Naturalmente, países que tem essa liberdade são mais desenvolvidos do que aqueles países que estatizam tudo e centralizam o controle nas mãos de uma burocracia partidária.

Uma velha discussão que é usada apenas para deixar as pessoas ainda mais bobas e alienadas. Pior é que elas nem percebem isso e compram posições ideológicas sem nem saber ao certo o que estão defendendo.

Até aí, ok nessa forma de pensar. Porém, existem certos campos em que esse “controle” do estado deve se fazer necessário para garantir o mínimo, não é mesmo? E aí entra a questão da saúde. Ora, se aqui a educação primária e secundarista, de qualidade, é garantida pelo Estado, porque não pensarmos em uma estrutura de saúde igual? Na recente história dos EUA, a tentativa de fazer uma profunda reforma no sistema de saúde foi idealizada no início do governo Clinton, sob a tutela da primeira-dama, Hillary. Naquela época, nos anos 90, por 1 ano tentou-se fazer uma ampla reforma do sistema com vistas a garantir uma saúde universal para todos, independente de suas condições financeiras. Não deu certo. E porque não aconteceu? O lobby das empresas de saúde nos EUA é assustador e convencer a população de que é preciso garantir uma assistência integral e universal soa como aquele velho controle do estado sobre a vida das pessoas, um fantasma ensinado neste país.

Lá atrás, no início dos anos 90, houve uma tentativa de reforma na saúde americana, sem sucesso, na gestão do então presidente Bill Clinton.

O que o presidente Obama tentou e, tecnicamente, conseguiu, foi fazer uma ampla discussão sobre este tema e aprovar uma reforma de saúde que, mesmo sob desconfiança de muitos, promete avançar um pouco para garantir alguma cobertura para os milhões de americanos que não sabem o que é assistência de saúde. É claro que todo o processo vai levar ANOS pra de fato ter resultados concretos e o custo disso, segundo estimativas, fica na casa de trilhões de dólares, numa economia que já está com um déficit público inimaginável.

Eu diria que, mesmo com as suas dificuldades iniciais de operação, o Obamacare pode ser algo que venha a beneficiar essa camada da população excluída. Obama é criticado neste contexto por querer instalar no país uma espécie de socialismo (como se esse debate ainda fosse minimamente razoável)…..o que, ao meu ver, denota o quão individualista é a sociedade americana. Aquela conversa furada de fraternidade, ajudamos uns aos outros e coisas desse gênero, fazem parte apenas do imaginário de sociedade ideal que não existe nem aqui e nem em nenhum lugar.

Site oficial do governo americano com as opções de seguros de saúde de acordo com o perfil do aplicante, estado de origem, condado e por aí vai. São tantas regras, tantas situações que fica difícil alguém entender exatamente como isso funciona sem ser especialista na área.

Na minha opinião, é mais do que fundamental pra entender sobre esse tema, que os leitores vejam o documentário do polêmico Michael Moore, intitulado Sickco (2007), onde ele faz uma radiografia do sistema de saúde nos EUA e traça uma base de comparação com outros países desenvolvidos. A conclusão do documentário é realmente chocante e faz as pessoas repensarem um pouco antes de reclamar, por exemplo, de que a saúde do Brasil é uma droga. Vejam aqui o documentário, legendado e tirem as suas conclusões.

Algumas considerações importantes:

A minha ideia aqui é enfatizar a todos que se você tiver um problema de saúde neste país, tanto faz se você é cidadão americano, residente, imigrante, o que for. Você vai estar com problemas. O que fazer?

Sinceramente, em primeiro lugar, rezar para não ter problemas. Dificilmente o americano vai ao médico por “qualquer dor de barriga”. Os caras vão ao médico quando a situação já está bem complicada, o que denota a função curativa da saúde aqui e não a preventiva em si. Em segundo lugar, NUNCA vá direto a emergência de um hospital. Com ou sem seguro, a probabilidade de você ter uma fatura, enviadas pelos correios, altíssima é grande. E não estamos exagerando não hein. Já pensou você ter uma crise de apendicite aqui, não tem como não operar….e quanto isso iria custar? Complicado não é mesmo? Os americanos, com frequência, vão pro Canadá pra buscar tratamento de saúde, sabiam disso? Tem um programa desses tradicionais de Imigração e Fronteira, chamado Canada Border Security. Em vários episódios, os agentes canadenses que desconfiam dessa prática dos americanos, simplesmente VETAM a entrada deles no país. Já pensou se todo americano fosse pra lá se tratar?

Uma coisa é se consultar com um médico pra obter uma receita de antibiótico (algo que não se compra nas prateleira do Walmart). Outra coisa é você ter um problema mesmo, sério de verdade, que requer cuidados mais específicos. Geralmente, neste primeiro caso, ou você vai a alguma clínica médica dessas que funcionam 24 horas ou você pode ir nos Minute-Clinic da vida que tem em alguns Walgreens e CVS aqui nos EUA. Eu já fui numa dessas que tem perto de onde moro, paguei 80 dólares por uma consulta sem absolutamente nenhum fundamento e, pior, saí de lá sem a receita do tal antibiótico que precisava pra combater uma infecção estomacal (segundo a médica, ela não poderia receitar aquele remédio sem antes fazer exames pra saber a causa do problema, etc etc). Resultado: voltei pra casa, fiquei 3 dias de cama e, por sorte, contei com a ajuda de algumas pessoas que me deram antibiótico que tinham quando vieram do Brasil. Olha o aperto :(

Visão geral do Minute Clinic da CVS. Você chega, agenda o atendimento ali naquele computador, o profissional te chama, mede pressão, pergunta isso e aquilo e um abraço. Casos mais complexos, nem adianta perder tempo e dinheiro.

E como se faz pra viver aqui sem seguro de saúde? Simples. Não faz. Ou você reza pra não ter nada, ou você se auto-medica (e os americanos são recordistas nesse campo) ou você simplesmente pega um avião e volta pra casa, quietinho e sem reclamar do Brasil e do SUS. Aliás, tem muita gente que faz isso aqui viu, inclusive quem já tem residência permanente, é cidadão ou o que for. Reclama-se do Brasil, com razão, mas na hora do aperto….. Podem reclamar o que for do SUS e tudo mais, todavia, quando falamos de tratamentos de saúde mais sérios e assistência integral, recorremos a ele. Vejam os casos de câncer, os casos de tratamento da AIDS e por aí vai. OK, tem falhas para todos os lados, mas ao menos depois dos procedimentos, você não sai do hospital com uma CONTA a ser paga e isso faz diferença. Meu pai, infelizmente já falecido, teve tratamento de câncer coberto integralmente pelo SUS (gratuito) e isso, apesar de eu ser um crítico ferrenho do Brasil, é algo que não ocorre nos EUA meus amigos. Conheço VÁRIOS casos de pessoas que vivem aqui legalmente e na hora do aperto, não pensam duas vezes num voo rumo ao Brasil.

Ah Luciano, mas aí na Florida, é obrigatório que os hospitais públicos te atendam, independente da tua situação imigratória e/ou se você tem seguro de saúde, não é mesmo? É sim. Em tese, se você chamar uma ambulância pelo 911 (vai ser cobrada as milhas percorridas entre a tua casa e o hospital, só pra deixar claro ok?) e for pra um hospital, provavelmente eles vão te atender, com ou sem seguro, MAS/CONTUDO, você vai ter de pagar alguma coisa (e não é pouca) caso isso ocorra. Não tem como escapar meus caros e isso é muito sério.

Por que estou falando tudo isso? Para dizer a vocês, leitores do Viver em Orlando, que os EUA tem esse “buraco” que não fecha e que não vai fechar tão cedo. Se você tem um planejamento de vir pra cá, imigrar, o que seja, ótimo, mantenha o foco e siga essa ideia, porém, não se esqueça que saúde aqui não é pra quem quer, e sim pra quem pode. Se você tiver plano de saúde no Brasil, MANTENHA ele ativo, não se desfaça dele, jamais. 

As pessoas que vêm pra cá como turistas, estudantes, não tem direito a contratar, no geral, planos de saúde convencionais. O que elas tem direito é ter (e é super recomendado que tenham), os seguros de viagem tradicionais que fazem uma cobertura x e y baseada na apólice contratada. Não se recomenda viver aqui sem ter nada disso, a não ser que você não se preocupe com isso (o que as vezes é uma terapia necessária, diga-se de passagem). Se você vier e aplicar pra um visto de trabalho, um L, ou qualquer situação do gênero, daí sim você teria direito a ter um plano de saúde convencional, nos moldes desses que são vendidos aí no mercado.

Por fim, se vocês quiserem analisar os custos dos procedimentos de saúde ao redor dos EUA, entrem neste site (aqui), coloquem o nome do hospital ou cidade/estado e vejam os preços “promocionais” de certos procedimentos. Alguns exemplos, de um dos maiores hospitais aqui da Florida. Sabe o custo médio de uma cesárea na Florida? U$20,000 (não perca a conta dos zeros). Veja aqui.

É isso aí meus amigos. O jeito é torcer pra não ter nada e, se tivermos, nem pensar duas vezes sobre o que fazer.

Um grande abraço a todos :)

Luciano

 

Comentários

  1. Valéria Pereira

    Olá Luciano,

    Agradeço as informações.
    Gostaria de saber qual é a média de preço de um plano melhor, com mais cobertura para uma família de dois adultos e duas crianças.

    Super Obrigada e Parabéns pelo trabalho!

    Valeria

    • Prezada Valéria, tudo bem?

      Você leu o artigo, certo? Percebeu que não existe neste país planos que cubram 100%, correto?

      Em termos de valores, como não sou dessa área em si, não posso te repassar muitas informações. Talvez o melhor mesmo seja contar com o apoio de algum profissional do setor e ter a certeza do que o plano cobre e não cobre. Cuidado ao extremo nesse ponto para evitar dor de cabeça lá na frente.

      Abraço.

      Luciano

  2. Olá Luciano, mais uma vez parabéns por esta excelente postagem , pois quero relatar dois casos rapidamente sobre isso que aconteceram comigo…quando eu morava na cidade de Pensacola, FL, minha ex esposa ficou gravida e como ela tinha visto de trabalho conseguiu aplicar o medicaid pra acompanhar o pré natal. Lembro muito bem quando tive que uma aplicação de pobreza para conseguir que o estado pagasse o parto normal, que custava exatamente 8 mil dólares. Como eu ganhava apenas 1500 dólares como gerente de uma famosa fast food, consegui ser aprovado pois para o estado da FL se vc ganhasse abaixo de 5 mil dólares você era considerado pobre e o que recebia acho que pra sociedade eu era um miserável. Enfim meu filho nasceu com todos os direitos de uma cidadão americano além do bolsa família americano….agora em 2014, depois de 13 anos afastado dos EUA por ter ficado ilegal em um certo período recebi a penalidade de 10 anos, mas consegui receber meu greencard de família e retornei para ver como tavam as coisas. Em Janeiro estava no central park com meu filho brincando na neve quando escorreguei e cai de costas, no começo na doeu pois caí na neve e tava quente o meu corpo, entretanto a noite começou a me incomodar a minhas costas e irradiando para virilha e o abdômen, minha irmã que hoje é cidadã americana viu que nem conseguia me levantar muito menos andar, e resolveu me levar pro hospital do estado do Alabama onde ela reside. Fiz um raio x, logo após uma ultra-som e de tabela uma topografia computadorizada pra ver realmente o que era essa dor. Descobriram na mesma hora que era apenas um nervo que estava inflamado que com uma medicação poderia melhorar. Ao sair os do hospital o office de lá me chamou para saber se eu tinha um plano de saúde, e eu aleguei que estava apenas a passeio na cidade apesar de está com o greencard na mão. Pediu o endereço de minha irmã e já avisou que essa brincadeirinha custou apenas alguns milhares de dólares. Está semana minha irmã recebeu a conta que foi apenas 9 mil dólares e perguntando se eu posso pagar a vista…entretanto terei a opção de financiar isso por perder de vista…resultado, eu que estou retornando no fim do ano em definitivo para os EUA, recomeço minha vida com uma dívida de 9 mil dólares e sabendo que se não começar a pagar minha abertura de credito já começa sendo negativa.
    Abraços.

    • É isso aí Edison, 3 exames, 9 mil dólares pra constatar que o teu problema era uma inflamação no nervo. Sabe porque eles pedem tantos exames? São duas razões: a primeira e super evidente é que existem os custos desses exames que são repassados a alguém, pessoa física, empresa, seguro de saúde, quem for. Alguém vai pagar essa conta, mesmo que em prestações (no caso das pessoas) a perder de vista, caso elas queiram continuar com seu famoso crédito em dia pra conseguir aquele carrão bonito e comprar aquela nova tv na Black Friday. A segunda razão é o medo (e uma certa paranóia) de que as pessoas entrem com processo caso haja um erro médico. Logo, eles querem se certificar de TUDO antes de tirar um conclusão. Aparentemente isso é mais do que importante, não é mesmo? Porém, se não fosse o custo envolvido…..

      Resumindo meu amigo Edison, bem como falei no texto: aqui neste país, tanto faz se você é americano, residente, imigrante, ilegal, o que for, literalmente você está enrolado com o sistema.

      Abraços.

      Luciano

  3. Fladmir

    Oi Luciano,

    Parabéns !!! Mais um belo texto sobre esse assunto controverso de saúde nos EUA, que só complicou ainda mais com a chegada do Obamacare.

    Existe também o que chama-se deductible que é uma quantia específica de dólares que sua companhia de seguros pode exigir que você pague do próprio bolso a cada ano antes de seu plano de seguro começa a fazer seus pagamentos. Quanto menor o deductible maior a mensalidade, e vice-versa.

    Para auxiliar seus leitores existe um site (www.ehealth.com) que você pode consultar valores de planos de saúde com base em seu Zip Code, quantidade de membros familiares, idade de cada um, se tem ou não direito á subsídio do governo, etc.

    Abraços,

    Fladmir

    • É verdade Fladmir, o Obamacare, nessa questão de obrigar as pessoas a terem um seguro saúde, me parece que não acerta a dose na tentativa de promover uma reforma que garanta saúde de fato a quem não se qualifica para programas do governo e/ou não tem como pagar um seguro privado. Em resumo, a situação de saúde neste país, pra quem pensa em vir pra cá, imigrar, etc, é complicadíssima. Eu honestamente tenho certeza que a maioria das pessoas que tem projetos para EUA não fazem idéia de como isso funcione aqui e nem se dão conta que, por trás da mágica e do país onde “tudo” funciona, temos um dos pontos mais fundamentais que não funciona e nem vai funcionar. Bem triste essa realidade.

      Um grande abraço pra você e família.

      Luciano

  4. Claudio

    Prezado Luciano,
    Parabéns pelo seu artigo, muito bem redigido apesar do enorme viés que acredito ter sido passado pelo documentário Sicko, que mostra de forma extremamente sensacionalista, enviesada e claramente com cunho político ideológico o sistema de saúde norte americano. Obviamente, existem inúmeros problemas no sistema e os principais você citou: 1 – medicina com base curativa e não preventiva, 2- percentual de “excluídos” do sistema, 3- altíssimo custo.

    Talvez alguns comentários devessem ser tecidos:
    1- Na maioria (senão todos, salve engano|) dos Estados, dívida de saúde não causa prisão nem tampouco “negativa” crédito. Obviamente você será solicitado a pagar sua dívida e poderá parcelar a perder de vista ou solicitar ajuda ao governo – existem vários programas governamentais de auxílio, com desconto do tax refund, restituição do imposto de renda, e até, dependendo do caso, o governo assumindo sua dívida em troca do não pagamento da “bolsa família” deles.

    2- Além dos hospitais particulares existem diversas clínicas e hospitais “Filantrópicos” que prestam atendimento sem custo aos usuários, ou com custo reduzido. No próprio website do healthcare.gov existem links com os endereços de tais centros.

    3- O próprio governo incentiva os cidadãos de baixa renda a adquirirem seus seguros de saúde por intermédio do governo, em troca, por exemplo da “restituição do imposto de renda”, cabendo ao cidadão a responsabilidade de aderir ou não.

    Na minha concepção tal sistema de saúde segue a ótica das liberdades individuais e do capitalismo, típico norte americano (com todas suas críticas que podem advir). O Governo DEFINITIVAMENTE NÃO TUTELA a saúde. Talvez seja o seguinte entendimento: O DEVER DE SE CUIDAR É SEU, NÃO DO ESTADO. SE VOCÊ É OBESO, DEVERÁ MELHORAR A DIETA E PRATICAR EXERCÍCIOS FÍSICOS, SE NÃO O FIZER ARCARÁ COM AS CONSEQUÊNCIAS DISTO NO SEU CORPO E NO SEU BOLSO.
    Está errado? Entendo que de todo não.
    A socialização da saúde no Brasil tem vieses talvez piores que o norte americano (vale a discussão), uma vez que TODOS NASCEM COM DIREITO AO SUS no Brasil e o acesso é universal, não existem mecanismos reguladores para isto (o acesso). Todos tem o “direito”, os multimilionários e os paupérrimos, isto é Justiça Social? Além disto, como não há regulação e nada que faça a pessoa pensar duas vezes antes de procurar o atendimento / exame etc, as demandas ficam cada vez maiores. Imaginemos a situação de uma jovem com um quadro de dor de cabeça ou cólica menstrual, por exemplo. Enquanto aí há a tendência de se buscar um analgésico e tocar a vida, aqui há a procura por um atendimento médico. Quantas e quantas vezes já não ouvi a máxima “Eu estou com dor de cabeça e estava passando pelo posto, resolvi consultar.”
    No meu entendimento, este tipo de sistema definitivamente não é viável pois não há dinheiro que consiga, sem qualquer tipo de regulação, financiar tais custos para o Governo. E a prova disso é o crônico estado agonizante do SUS no Brasil.

    Para encerrar, minha última anotação sobre o sistema norte-americano. Entendo que um dos grandes culpados para o custo da saúde nos EUA ser tão alto é o Poder Judiciário. Enquanto em outros países do mundo a medicina é tida como atividade meio (o médico deverá garantir esforços para tratar a doença), nos EUA a justiça entende que é atividade fim (o médico deverá quase garantir a cura, como se ninguém mais pudesse morrer ou adoecer que a culpa é do médico – um completo descalabro). Com isso, o custo de indenizações judiciais por supostos erros médicos atingem a estratosfera e os hospitais são sempre acionados juntamente com os profissionais.

    Efetivamente, dinheiro não dá em árvore, para alguém ou alguma família ganhar uma indenização de milhares de dólares pois a cicatriz da cirurgia ficou feia, este custo será repassado para o restante da sociedade, com elevação dos custos.

    Vale lembrar que NINGUEM, NENHUM PROFISSIONAL pisa dentro de um hospital americano, seja para estudar, pesquisar ou atender sem pagar um pomposo SEGURO DE RESPONSABILIDADE PROFISSIONAL (Mal practice insurance), em qualquer área, seja médico, enfermeiro, estudante, o que for. Médicos chegam a pagar entre 30 e 40% dependendo da especialidade, de seu salario ANUAL para cobertura de seguros de responsabilidade. Com isso, alguem tem que pagar esta conta, e esse custo, obviamente, é repassado para todos que são atendidos. Não deixa de ser uma lógica de mercado.

    Em resumo, na minha opinião, é o Judiciário americano o responsável pelos altos custos da saúde aí.

    Sei que o texto ficou meio longo, se quiser, não precisa publicar, basta somente que troquemos algumas idéias e reflitamos.

    Um abraço.

    • Prezado Claudio, tudo bem?

      Excelente contribuição. O texto ficou longo, mas está claríssimo e muito bem detalhado.

      Sim, um pouco da visão compartilhada foi baseada em termos do documentário de Michael Moore. Tenho convicção do cunho político dele em muitos outros aspectos que se referem a vida e a sociedade americana. É evidente que este cunho, muitas vezes, “contamina” o trabalho de relato dos documentários. Todavia, em linhas gerais, entendo que este documentário sirva como uma base para, ao menos, refletirmos em termos de saúde pública, seja aqui nos EUA, ou em qualquer outro lugar.

      Em relação ao SUS brasileiro, concordo em partes com tuas colocações, em especial no que tange a recursos para bancar o sistema. Talvez o cenário não seja de falta dele e sim de uma gestão totalmente sem profissionalismo e corrupta que acaba, sem dúvidas, por prejudicar aqueles que mais precisam do sistema, leia-se, os mais pobres. É claro que em certas demandas, como a questão de tratamentos de câncer e HIV, o SUS, mesmo com suas deficiências, oferece um tratamento interessante. Falo isso por experiência própria. Meu pai, falecido ano passado, fez todo um tratamento contra o câncer do pâncreas na rede pública, com um excelente atendimento e gratuito. Outros casos eu também conheço, em especial da época em que trabalhei no Ministério da Saúde no Brasil, a muitos anos atrás.

      Quando ao poder judiciário nos EUA, não tenho muitos elementos para poder inferir ou emitir algumas opiniões de cunho conclusivo. Entendo que aqui a situação é bem diferente em muitos termos.

      No mais, é sempre bom poder elevar o nível dos debates e das discussões em torno deste e de outras temas que são importantes num processo de planejamento de vida aqui nos EUA ou onde for. Agradeço sua contribuição e peço que sempre possamos trocar essas informações que, a rigor, servem para que os amigos leitores do site possam fazer suas análises da melhor forma possível, sem cair na ilusão e nos achismos.

      Um grande abraço.

      Luciano

  5. Andre

    Bom, sou dentista do SUS em Guarlhos, SP.
    Por pior que seja aqui, em algum momento, vc será atendido. (FILA)
    Nos EUA parece que não há nenhuma piedade quanto ao doente. Não há atendimento gratuito.

    O fato de procurar consultas em outros países demonstra o desespero da população.

    Aquele filme “Clube de compras Dallas” mostra os americanos indo atrás de remédios no México, que é um país que vende tudo sem receita.

    • Andre, tudo bem?
      Concordo piamente com sua avaliação. Esse mundo encantado de achar que os EUA são incríveis enquanto nação, onde todos tem as mesmas oportunidades e acesso aos serviços básicos, etc, é pura bravata. Se precisar de algum atendimento médico mais complexo nos EUA, é um Deus noa acuda……me arrisco a dizer que a maioria dos brasileiros que residem nos EUA (seja onde for), sejam permanentes ou não, na hora H, do aperto, “fogem” pro velho Brasil mesmo…..muitos dos que conheço inclusive mantêm ativos seus planos de saúde….
      Obrigado por opinar neste post.
      Abraço.
      Luciano

  6. Marcelo

    Olá Luciano, parabéns pela iniciativa de escrever sobre um tema fundamental.

    Infelizmente fui diagnosticado com ALS (ELA em português) , daqui alguns anos estrei na cadeira de rodas, e não consigo me ver morando na minha cidade como cadeirante, pois tenho vergonha e o pior não temos acessibilidade para utilizar ônibus e é um sacrifício, o motorista não gosta de parar o ônibus e ajudar e os passageiros começam a reclamar da demora.

    Resumindo, estava com planos de morar em Miami, comprar um apartamento e ter o direito de ir e vir sem ter vergonha de nada, mas não sabia que é tão complicado assim, não sei agora o que fazer.

    Qual sugestão você me daria!?

    Att,
    Marcelo

    • Marcelo, infelizmente não existe nenhum programa de imigração que vá facilitar o teu caso.
      Ademais, nos EUA existem cidades e cidades e não vejo, sinceramente, Miami sendo essa cidade com excelente acessibilidade.
      Boa sorte meu caro.
      Luciano

  7. MiGUEL

    Luciano boa tarde !

    Excelente o site ! Leio cuidadosamente cada post.

    Moro legalmente em Orlando há 6 meses

    Sugere algum seguro saúde para quem tem família (esposa e filhos). Tenho SSN….

    Alguma empresa em específico ?

    Estou perdido em relação a isto.

    Obrigado.

    • Miguel, infelizmente não conheço ninguém em quem confie piamente pra te indicar neste ponto.
      As empresas ou os corretores de seguros que tem em Orlando (nossos patrícios, gostaria de deixar claro!!!) já me deixaram em cada encrenca que não indico mais ninguém.
      Desculpa não poder ajudar neste campo.
      Luciano

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